É um estranho sentimento que se passa, uma sensação esquisita que não me deixa pensar em mais nada, talvez seja algo que eu esteja imaginado, mas nada me tira da cabeça que tem algo errado.
Sem sabe de nada, apenas imaginando fico ligando alguns pontos e começo a juntar peças que fazem acreditar que as coisas não são bem exatamente aquilo que eu desejo.
Fica esta pergunta martelando dentro da minha cabeça, fico inquieto só imaginando razões,ações, tendências que não faço a mínima ideia do que seja.
Se pelo menos me falassem o que realmente se passa ficaria bem mais fácil de aceitar e entender, mas deste jeito fica difícil.
Acho que esta na hora de dar o fora antes que seja tarde demais, esperar mais uns dias e ver o que acontece, afinal de contas não tenho nada a perder mesmo.
É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha. Contanto que vos embriagueis. E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder: É hora de se embriagar! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
(Baudelaire)
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